com: FLORBELA QUEIROZ, PAULO VASCO, CARLOS QUEIROZ, VANESSA, JOANA BAETA, CRISTINA AURÉLIO, DAVID VENTURA, RAQUEL LOURENÇO, JOÃO DUARTE COSTA, ÉLIA GONÇALVES, A COMPANHIA DE DANÇA "TMV", DE MARCO DE CAMILLIS, ORQUESTRA "CARMIM"
Direcção de Ensaios/Encenação: FRANCISCO NICHOLSON, Texto: FRANCISCO NICHOLSON e MÁRIO RAÍNHO, Música: JOSÉ CABELEIRA e PEDRO LIMA, Direcção e Criação de Montagem: MONIZ RIBEIRO, Cenografia: LUÍS FURTADO, Construção Cenográfica: JOSÉ MARTINS, Figurinos: MAGDA CARDOSO, Mestra do Guarda-Roupa: EMÍLIA DE MORAIS, Adereços de Cena e Guarda-Roupa: JOÃO QUINTÃO, Cabeleiras: CARLOS AFONSO, Ensaios Musicais/Orquestrações: CARLOS DIONÍSIO, Direcção/Criação Coreográfica: MARCO DE CAMILLIS
Direcção de Ensaios/Encenação: FRANCISCO NICHOLSON, Texto: FRANCISCO NICHOLSON e MÁRIO RAÍNHO, Música: JOSÉ CABELEIRA e PEDRO LIMA, Direcção e Criação de Montagem: MONIZ RIBEIRO, Cenografia: LUÍS FURTADO, Construção Cenográfica: JOSÉ MARTINS, Figurinos: MAGDA CARDOSO, Mestra do Guarda-Roupa: EMÍLIA DE MORAIS, Adereços de Cena e Guarda-Roupa: JOÃO QUINTÃO, Cabeleiras: CARLOS AFONSO, Ensaios Musicais/Orquestrações: CARLOS DIONÍSIO, Direcção/Criação Coreográfica: MARCO DE CAMILLIS
A revista é um tipo de teatro muito particular, uma coisa entre o profissional e o amador, entre a festa de bairro e o espectáculo com ambições de uma Broadway chamada Avenida da Liberdade.
Nesse sentido, Vai de Email a Pior faz jus a todos esses predicados. A mim choca-me sempre um bocadinho a vulgaridade, os exageros, as piadas fáceis e muitas vezes a roçarem o mau gosto… Mas se calhar é disto que o povo gosta. Por outro lado, sendo eu também elemento do povo, também me fascina essa simplicidade e esse despretenciosismo da revista e principalmente desta, que nesse sentido há umas piores que outras. E Nicholson e Mário Raínho estão de parabéns. O texto é sólido e segura bem os actores. São umas horas bem passadas, ah pois que são.
É espectacular ver Florbela Queiroz a regressar a um palco. Há coisas que não se esquecem, que são como andar de bicicleta e a Florbela sabe. Temos o Paulo Vasco, sempre a piscar o olho ao espectador (afinal, não é por causa dele que ali estamos?) e o espectador gosta. Temos a Vanessa que me parece que querem à força fazer dela uma nova Marina Mota e que nos arrepiou a todos naquela sala quando antes nos tinha deixado com um gosto amargo na boca por uma cena menos conseguida que melhoraria muito pela assunção do tom e do exagero dos seus colegas. Ainda destaco João Duarte Costa que mostra talento para o que faz e para o que há-de vir a fazer. Espero que a revista não o estrague com as suas tradiçõezinhas um bocadinho bacocas e que ele faça mais, muito mais, tal como todos eles. O que eu detesto no teatro são as quintinhas, uns que só trabalham com uns e outros que só trabalham com outros. Claro que está a mudar, mas ainda devia mudar mais. Deviamos ser todos multifacetados e não nos deixarmos rotular por este ou aquele tipo de teatro.
Só uma nota: eu sei que a revista tem compêndios de cenas que se introduzem e a ordem das mesmas. Agora: por amor da Santa… Tirem-me a Pandora… O que é aquilo? Não aquece nem arrefece, só chateia. E depois… Aquelas mensagenzinhas demagogas da paz-ita… Não há paciência. Aqueles piscar de olhos para referências da cultura popular parecem-me sempre homenagens de trazer por casa, de quem tem pouca imaginação e poucos recursos. Será mesmo que ninguém sabe que aquela música é a versão do Roxanne dos Police no filme Moulin Rouge? Não há mais nada que se crie para ser preciso ver um tango bem dançado? E eu só penso: Será que o James Cameron sabe? Será que o Baz Lurhman sabe? Será que a ministra da cultura sabe se eles sabem?
Curioso também foi ver a Ministra da Cultura lá. Deve ser a reforçar o seu interesse no Parque Mayer, para reafirmar que não está esquecido, blá blá blá… E de vez em quando olhava para os músicos, curiosa. Nunca se viu num fosso daqueles, pois não?
Revista é isto, é não deixar cair os finais, é tudo em boneco, tudo exagerado. Mas já se sabe ao que vai, qual é a surpresa? É tudo um bocadinho festa de final de curso ou festa de Natal lá do bairro onde o primo faz os vestidos, é tudo um bocadinho espírito de marchas, santos populares e sardinhas, que é tão característico de Lisboa. Goste-se ou não, Lisboa é isto.
João Antunes